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Referência: 2P
A notoriedade do filme A paixão de Cristo, de Mel Gibson, não só reclama uma reflexão cristã baseada na história de Jesus, como oferece uma grande oportunidade para examinar nossas concepções religiosas muitas vezes defeituosas, que tendem a deformar a história, como acontece com a obra em pauta. A autoridade do autor como exegeta do Novo Testamento é garantia suplementar da seriedade da obra.
A princípio, explica, é preciso que se tenha presente de que se trata de uma obra artística. Antes de tudo a contextualiza, para evitar, na medida do possível, correr por caminhos não traçados no mapa de seu criador. Analisa, em seguida, as fontes utilizadas na sua produção, especialmente a narrativa evangélica, que, porém, como fica demonstrado, não é nem de longe a mais importante. Por último, procura mostrar o que chama de "teologia implícita no roteiro", o leva à conclusão de que, tendo principalmente em vista objetivos comerciais, a obra está longe de representar com fidelidade a realidade histórica e o sentido que tem, na tradição cristã, a paixão de Cristo.
Recomenda-se a leitura, por constituir um rico dossiê não só sobre as discussões suscitadas pelo filme, como também para se avaliar a pertinência dos fundamentos cristãos, as influências que levaram o artista a uma tal realização e sua repercussão em questões da atualidade, dentre as quais o anti-semitismo não é a menor
Páginas: 70
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