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Reunindo diversos textos traduzidos cuidadosamente, e cotejados com os originais em russo, pretendemos que esta edição represente um salto de qualidade na maneira como essa obra de Trotsky é tratada. Afinal, o texto ‘A Revolução Permanente’ já foi editado outras vezes em português. Porém, é publicado isoladamente, o que compromete consideravelmente a compreensão dessa obra. A teoria da revolução permanente não pode ser estudada como algo dado, como uma fotografia, um produto final. Ela foi o subproduto de um processo vivo, o resultado de polêmicas e reflexões sobre as vitórias e derrotas do proletariado em luta. Em edições brasileiras, esse quadro, dinâmico e contraditório, nunca havia sido pintado.
É com o objetivo de corrigir isso que apresentamos sob o título de ‘A Teoria da Revolução Permanente’ uma compilação dos principais trabalhos de Trotsky sobre o tema: ‘Balanço e perspectivas’, de 1906, e ‘A revolução permanente’, de 1929. Em anexo, incluímos também dois textos inéditos em português: ‘A revolução espanhola e as tarefas dos comunistas’, de 1931, e ‘Cartas entre Trotsky e Preobrazhensky’, de 1928.
‘Balanço e perspectivas‘, de 1906, contém a primeira formulação da teoria da revolução permanente. Nesta brochura, Trotsky analisa profundamente a revolução de 1905 e, contrariando a tese estabelecida pelo marxismo até então, levanta a hipótese de que na Rússia o proletariado poderia chegar ao poder antes do que nos países capitalistas adiantados.
Em ‘A revolução permanente’ ,escrito sob a artilharia pesada dos ataques stalinistas, Trotsky resgata o verdadeiro sentido de sua teoria, enriquece-a e expande-a. A teoria da revolução permanente, que em sua formulação inicial era uma teoria específica para a Rússia autocrática e semi-colonial, torna-se, em 1929, uma teoria da revolução socialista mundial.
‘A revolução espanhola e as tarefas dos comunistas’ analisa a mecânica de classes da revolução espanhola e formula o programa dos revolucionários. Para Trotsky, o jovem e pouco numeroso proletariado espanhol é a única força capaz de cumprir o papel de direção em todo o processo e levá-lo até o fim.
Nas ‘Cartas entre Trotsky e Preobrazhensky’, o economista soviético Evgeni Preobrazhensky levanta a hipótese de que, na China, um outro sujeito social e político que não o proletariado venha a ser a força motriz do processo revolucionário, dando à revolução chinesa uma caráter democrático-burguês e não socialista. A resposta de Trotsky ao dirigente da Oposição de Esquerda é uma demonstração magnífica de clareza estratégica e erudição teórica.
Temos a certeza de que essa edição facilitará a reflexão e a melhor compreensão da teoria de Trotsky, servindo de aporte a todos os revolucionários
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